14/10/2014

Protótipo de telescópio será testado na Itália

Com a participação do Brasil, projeto internacional pretende construir maior observatório do mundo para estudo de raios gama vindos do Universo

Entrou em fase de testes no dia 24 de setembro, em Catania, na Itália, o primeiro protótipo de um dos telescópios do Cherenkov Telescope Array (CTA), consórcio internacional formado por 28 países — entre eles o Brasil — que pretende construir até 2020 o maior observatório astronômico do mundo dedicado ao estudo da emissão de raios gama, a radiação de mais alta energia. O observatório contará com cerca de 100 telescópios, que serão instalados em dois lugares distintos, um no hemisfério Sul e o outro no hemisfério Norte. Por meio do CTA, os pesquisadores esperam poder estudar melhor os chamados aceleradores de raios cósmicos: buracos negros, remanescentes de supernovas e pulsares, além de núcleos de galáxias ativas e regiões de formação estelar. 

“O escopo científico do CTA será muito amplo”, diz a astrofísica Elisabete de Gouveia Dal Pino, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e uma das pesquisadoras brasileiras envolvidas na concepção do CTA. “Com ele, poderemos obter limites para os campos magnéticos intergalácticos e estimar a origem e natureza da matéria escura do Universo, além de estudar fenômenos físicos inéditos como a violação da constância da velocidade da luz para fótons de altas energias.” 

O telescópio protótipo do CTA será testado pelos próximos seis meses em Serra la Nave, na Sicília. Durante este período, passará por ajustes da estrutura e da câmera que fará a captação da chamada radiação Cherenkov — chuveiros de elétrons e pósitrons produzidos por raios-gama, que, ao entrarem em contato com a atmosfera da Terra, excitam suas moléculas, emitindo a radiação Cherenkov. Após a fase de testes, o telescópio protótipo irá compor parte de um arranjo menor do observatório — conhecido como CTA Mini-Array —, formado por 7 telescópios, que será construído em parceria com o Instituto Nacional de Astrofísica da Itália. Destes sete telescópios, o Brasil construirá três. Ao todo, o país, no âmbito de um projeto temático financiado pela FAPESP e coordenado por Elisabete, investirá cerca de 1,5 milhão de Euros. 

O CTA Mini-Array deverá ser concluído em 2016, 4 anos antes do grande observatório. “O CTA Mini-Array estará entre os maiores observatórios de astronomia de raios gama do mundo, e colocará o Brasil e seus pesquisadores a frente na dianteira de pesquisas pioneiras em astrofísica de altas energias”, diz Elisabete. “Além disso, com o conhecimento tecnológico adquirido por meio da concepção do CTA Mini-Array, o Brasil deverá ser capaz de construir diversos telescópios para o observatório principal”. Ainda não se sabe onde o CTA será construído no hemisfério Sul. Chile e Namíbia são candidatos para receber o observatório. No hemisfério Norte, a disputa está entre México, Estados Unidos e Espanha. Se o projeto avançar, o CTA será capaz de medir a radiação gama produzida por fontes astrofísicas com sensibilidade até dez vezes maior que o observatório HESS ou o satélite FERMI, os maiores observatórios de astronomia gama em funcionamento hoje.

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13/10/2014

Cientistas vão perfurar diretamente uma falha geológica prestes a causar um terremoto


A falha Alpina é a mais perigosa falha geológica da Nova Zelândia e uma das mais perigosas do mundo. Estudos indicam que ela pode entrar em atividade a cada 300 anos e produzir um terremoto de magnitude até 8. O mais recente foi em 1717, significando que o próximo deve estar a caminho. O que será feito em relação a isso? Simples: uma perfuração na falha, com 1,5km de profundidade para melhor estudá-la.

Mesmo com o conhecimento atual sobre terremotos, ainda é impossível prevê-los. Não se sabe o que acontece dentro de uma falha ativa, seja nos meses, dias ou minutos que precedem um tremor. Cientistas do Deep Fault Drilling Projetc, na Nova Zelândia, farão pela primeira vez uma perfuração numa falha prestes a entrar em atividade e com probabilidade de causar um grande terremoto.

A perfuração (1,5km de profundidade e 10cm de diâmetro) vai até a “zona de esmagamento” onde ocorre o encontro de placas tectônicas. Um conjunto de sensores registrará a temperatura, pressão, som e imagens da falha ativa. Amostras de rochas serão coletadas para estudar as “cicatrizes” deixadas por atividades sísmicas do passado.

“Realmente não sabemos o que vamos encontrar quando chegarmos na zona da falha”, diz um dos líderes do projeto, Rupert Sutherland, em um press release da Universidade Victoria. O projeto de perfuração é sem precedentes. Cientistas já fizeram isso antes. Perfuraram um local no complexo de falhas de San Andreas, na Califórnia, onde ocorrem pequenos e frequentes tremores. Porém este novo projeto é completamente diferente, pois tem como objetivo “olhar de perto” uma falha que está prestes a provocar um grande terremoto.

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09/10/2014

Eclipse lunar gerou última ‘lua de sangue’ do ano

O fenômeno foi o segundo de uma tétrade de luas de sangue e pôde ser visto parcialmente em todo o Brasil


Em abril deste ano, ocorreu a primeira de uma série de quatro “luas de sangue” que terminará em setembro de 2015. Historicamente, os eclipses sempre despertaram o medo da população, pois eram associados a desastres. Esta rara sequência de fenômenos que tornam a lua avermelhada deve ocorrer apenas sete vezes até o final do século, e até hoje é temida por religiosos, que a associam com presságios do apocalipse bíblico. Na madrugada de terça (7/10/2014) para quarta (8/10/2014), o segundo evento da tétrade poderá ser observado de todo o país, de forma muita fraca, com exceção de uma pequena região do Nordeste.

Os eclipses lunares ocorrem quando a Terra intercepta a luz solar que ilumina a lua, deixando-a escurecida com sua sombra. Mesmo em eclipses totais como este, parte dos raios solares acaba passando pela atmosfera terrestre, adquirindo os tons avermelhados. O melhor local para observação será no Oceano Pacífico e regiões adjacentes. Portanto, para o Brasil, as áreas mais a oeste serão privilegiadas para observar este fenômeno.


Infelizmente, desta vez o máximo do eclipse ocorrerá entre 5h15 e 5h40, horário em que a lua já está muito próxima do horizonte (poente), o que prejudicará a observação. No entanto, se as condições meteorológicas em sua cidade colaborarem, certamente vai ser possível contemplar os efeitos da lua de sangue. Não será necessário nenhum equipamento astronômico – o evento poderá ser visto a olho nu, bastando olhar para o horizonte na direção oeste (direção do pôr do Sol). Para uma melhor visualização, recomenda-se estar em um lugar alto.

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Sonda identifica algo estranho no mar de Titã


Titã tem quase uma vez e meia o tamanho do nosso satélite natural. Além de ser a maior lua de Saturno, é a segunda maior do Sistema Solar, perdendo apenas para Ganímedes, de Júpiter. É o único corpo celeste onde sabemos haver líquidos na superfície: eles estão na forma de grandes lagos de hidrocarbonetos como o metano. E foi em um destes lagos, chamado de Ligeia Mare, onde a sonda Cassini identificou uma misteriosa mancha brilhante de 260 quilômetros quadrados, que apresentou alterações ao longo dos últimos anos.

Quando a região foi analisada, utilizando dados de radar pela primeira vez em abril de 2007, não havia sinal de nenhum padrão que se destacasse na superfície negra do mar. No entanto, em julho de 2013, a mancha apareceu pela primeira vez e sumiu nos meses seguintes, o que levou os cientistas a concluírem que estavam diante de algum tipo de fenômeno transitório.

A surpresa dos pesquisadores foi ainda maior quando, em agosto deste ano, a Cassini voltou a apontar a presença da estrutura. A equipe da NASA que coordena os dados enviados pela sonda garante que não se trata de nenhum tipo de anomalia técnica, e afirma também que não há evidências de vínculo com a evaporação no oceano da lua, já que nenhuma mudança foi notada em outras regiões. 

Eles sugeriram que a mancha pode ser fruto de ondas, bolhas e sólidos flutuantes ou submersos. Os pesquisadores acreditam na possibilidade de algo ainda mais exótico, como uma relação com a mudança de estações no satélite natural, já que o verão se aproxima do hemisfério norte de Titã, região onde se localiza o Ligeia Mare. 

“A ciência ama um mistério, e com este padrão enigmático, nós temos um exemplo empolgante de mudanças em andamento em Titã”, diz Stephen Wall, líder da equipe de pesquisadores. “Estamos esperançosos que vamos ser capazes de continuar assistindo as mudanças se desdobrarem e ter melhores percepções sobre o que está acontecendo naquele mar alienígena”.

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08/10/2014

NASA fará voo-teste de foguete até Novembro de 2018

A NASA anunciou que deverá lançar até novembro de 2018 o foguete de exploração Space Launch System (SLS), projetado para viagens ao espaço profundo e precursor do lançador da primeira missão tripulada a Marte, programada para 2030. A agência concluiu a revisão técnica do projeto e assumiu o compromisso de completar o desenvolvimento de uma versão do foguete com capacidade para 70 toneladas, o que permitirá um voo-teste não tripulado. Está prevista uma configuração mais versátil do SLS, que conseguirá levar até 130 toneladas de material ao espaço, incluindo uma tripulação de quatro astronautas que viajariam além da órbita da Lua. Depois desta fase, a meta é criar a missão que pretende capturar um asteroide e colocá-lo na órbita da Lua para estudos, preparatória do voo a Marte. O anúncio é o primeiro movimento da NASA para reativar as missões tripuladas ao espaço desde a aposentadoria dos ônibus espaciais, em 2011. Um ano antes, o Projeto Constellation, que buscava criar uma nova geração de naves espaciais foi cancelado pelo governo dos Estados Unidos. “O programa está se tornando realidade”, comemorou William Gerstenmaier, administrador associado da Diretoria de Explorações Humanas da NASA, segundo a agência de notícias AFP.

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06/10/2014

Cientista afirma: cedo ou tarde teremos que deixar a Terra. Seria Europa nossa solução?


Europa, o gélido satélite natural de Júpiter, para onde a humanidade se mudaria de acordo com o livro “2001: Uma Odisseia no Espaço”, de Arthur C. Clarke, talvez volte a se candidatar como um lugar capaz de abrigar vida, e, desta vez, sua candidatura tenha mais ciência que ficção. É que os pesquisadores detectaram em sua crosta a possível existência de placas de gelo gigantes, que funcionariam como as placas tectônicas de nosso planeta, conectando a superfície com o oceano profundo. Isso significaria uma via de contato com sais, minérios e micróbios.


Conforme o artigo publicado pela revista Nature Geoscience, a descoberta foi possível graças a imagens feitas pela sonda Galileo, da NASA, que observou Júpiter por oito anos, desde 2005. Ao tentar fazer um mapa completo da superfície de Europa, foi encontrado um buraco, que só poderia ser explicado pela presença de sistema de placas tectônicas e que havia sido sugado esse vácuo para o interior do satélite. Se esse fenômeno de subducção fosse comum, então Europa poderia abrigar um ciclo de compostos amigáveis para a vida entre a superfície e a profundidade, aumentando, sensivelmente, a possibilidade de seu oceano ser habitável.


Essa revelação é de grande importância, principalmente se levarmos em consideração, por exemplo, as declarações feitas há poucos dias pelo cientista e ex-astronauta da NASA John Grunsfeld, que disse: “se quisermos assegurar a futura sobrevivência da humanidade, cedo ou tarde teremos que deixar a Terra. É praticamente certo que, em algum momento, nosso planeta sofrerá o impacto de um asteroide devastador”.

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